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Dr. Alaor MiguelMédico Psiquiatra

Esquizofrenia e Psicoses

É a condição psiquiátrica que mais carrega estigma e a que mais se beneficia de tratamento iniciado cedo e mantido com constância.

O que são os quadros psicóticos

Psicose descreve um estado em que a avaliação da realidade fica comprometida, com presença de delírios — convicções firmes que não cedem à evidência contrária — e alucinações, percepções vividas como reais na ausência do estímulo correspondente. Não é um diagnóstico por si só: é uma síndrome que aparece em contextos distintos.

Ela pode ocorrer na esquizofrenia, no transtorno esquizoafetivo, em episódios de humor com sintomas psicóticos, em quadros breves após estresse extremo, no uso e na abstinência de substâncias, e em condições clínicas e neurológicas. Definir em qual desses contextos o quadro se inscreve é o que determina a conduta, e é a primeira tarefa da avaliação.

Esquizofrenia

A esquizofrenia costuma se manifestar no fim da adolescência ou no início da vida adulta e envolve, além dos sintomas positivos — delírios, alucinações, desorganização do pensamento —, os chamados sintomas negativos: redução da iniciativa, do contato social, da expressão emocional e da fluência do discurso. Há também comprometimento cognitivo, com prejuízo de atenção, memória de trabalho e planejamento.

Os sintomas negativos e cognitivos são menos visíveis, chegam mais cedo e explicam boa parte do prejuízo funcional a longo prazo. É comum que a família só reconheça o problema quando surge o primeiro sintoma positivo, embora o afastamento e a queda de desempenho já durassem meses.

O intervalo entre o início do quadro e o começo do tratamento tem relação direta com a evolução. Isso é o que sustenta a orientação de avaliar precocemente qualquer suspeita, ainda que o quadro pareça leve ou explicável por outra coisa.

O papel da família

Nesses quadros a família participa do cuidado de um modo que não ocorre nas demais condições. É quem percebe as mudanças iniciais, quem acompanha o dia a dia e quem sustenta a continuidade do tratamento nos períodos em que a própria pessoa não reconhece estar doente — o que é parte do quadro, não teimosia.

Por isso reservo espaço para orientar quem convive: o que esperar, como reagir diante de um delírio sem confrontar nem reforçar, quais sinais indicam recaída, como agir em situação de crise. Essa orientação respeita o sigilo e ocorre com o consentimento do paciente, dentro do que ele autoriza compartilhar.

Como conduzo o tratamento

A avaliação investiga causas clínicas e neurológicas, uso de substâncias e quadros de humor antes de firmar diagnóstico, e pode exigir exames complementares. O diagnóstico se constrói ao longo do acompanhamento, e não em um único encontro.

A medicação antipsicótica é a base do tratamento e a escolha considera eficácia, perfil de efeitos adversos e viabilidade de adesão à sua rotina. Monitoro efeitos metabólicos, motores e demais repercussões, com ajustes ao longo do tempo. Interrupções por conta própria são a causa mais frequente de recaída, e prefiro discutir a dificuldade com você a descobri-la depois.

O acompanhamento se estende para além do medicamento: reabilitação, retomada de atividade e de vínculos, articulação com psicologia e terapia ocupacional, e orientação sobre direitos e suporte social quando necessário.

Outras condições

Também atendo

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